Clipper 70 da Clipper Race vai dar origem a novo projeto de formação jovem na Irlanda

21 Mai, 2026 | Vela

Um dos Clipper 70 da Clipper Race foi vendido e dará origem a um novo projeto de formação jovem na Irlanda, marcando o início da renovação da frota da regata de volta ao mundo.

O barco CV31 é o primeiro da frota Clipper 70 a mudar de mãos e passará a chamar-se Spirit of Shackleton, ficando baseado em Dún Laoghaire, no condado de Dublin. A embarcação será utilizada como plataforma de treino e desenvolvimento juvenil, numa nova fase depois de ter completado cinco voltas ao mundo integradas na Clipper Round the World Yacht Race.

A operação surge num momento em que a Clipper Ventures colocou a frota Clipper 70 à venda, antecipando a entrada em serviço da nova geração Clipper RX, prevista para a edição de 2027-28 da regata. Na edição atualmente em curso, dez Clipper 70 seguem ainda em prova, com as equipas a navegar em direção ao Panamá, enquanto o CV31 permaneceu em Gosport para preparação da nova utilização.

O CV31 terminou a última circum-navegação com vitória na Clipper 2023-24. Ao longo da última década, os Clipper 70 tornaram-se uma das frotas monotipos mais reconhecidas da vela oceânica, transportando milhares de tripulantes não profissionais através do Atlântico, Pacífico e Roaring Forties, no âmbito da Clipper Race.

Sir Robin Knox-Johnston, presidente da Clipper Ventures e cofundador da regata, considera que a reutilização do primeiro Clipper 70 nesta nova função mostra que estes barcos continuam a ter potencial para outras utilizações ligadas ao mar. O responsável recorda que as embarcações foram concebidas para abrir a vela oceânica a mais pessoas e sublinha agora a passagem para uma nova fase ligada à formação.

A frota Clipper 70 também esteve ligada a vários momentos marcantes da história recente da prova, entre eles a vitória de Wendy Tuck em 2017-18, a primeira de uma mulher numa regata de volta ao mundo, e projetos de investigação ligados à acidificação dos oceanos e à conservação marinha. A edição atual conta ainda com quatro mulheres skippers e sete mulheres first mates, o que representa 60% dos 20 profissionais embarcados.

O projeto Spirit of Shackleton foi apresentado numa cerimónia realizada a 15 de maio, em Dublin, com a presença da presidente da Irlanda, Catherine Connolly, de Alexandra Shackleton e de Sir Robin Knox-Johnston. A coordenação está a cargo de Enda O’Coineen, velejador oceânico, empresário e presidente da Atlantic Shackleton Youth Foundation.

Segundo Enda O’Coineen, o antigo CV31 terá agora um programa de 12 meses dedicado a treino à vela e desenvolvimento jovem, incluindo participação na Round Ireland Race, presença na escala da Clipper Race em Oban e viagens de treino para destinos como Falklands, Antártida, Chile, Peru, Galápagos, Panamá, Caraíbas, Açores e Europa.

A Clipper Ventures já tinha confirmado anteriormente um investimento de vários milhões de libras na nova frota Clipper RX, atualmente em construção em Qingdao, na China. Com isso, os Clipper 70 deixam de ser o núcleo competitivo da prova, mas passam a estar disponíveis para novos projetos ligados à vela de treino, expedição, charter, competição e propriedade privada. A venda das embarcações deverá arrancar no verão de 2026.

A passagem do CV31 para a Spirit of Shackleton abre assim um novo ciclo para uma das embarcações mais identificadas com a Clipper Race, agora com um papel centrado na formação e na navegação oceânica de carácter educativo.

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