O Nice, de Marco Malgara, venceu a classe maxi da 151 Miglia-Trofeo Cetilar, numa edição marcada por vento muito fraco e tempos muito acima do habitual numa das principais regatas offshore do calendário italiano.
A 17.ª edição da prova, disputada entre Livorno e Punta Ala, contou com 191 barcos à partida, dos quais 10 integravam a classe IRC Over 60 maxi. A falta de vento no Tirreno levou a organização a encurtar o percurso em 25 milhas antes da largada de sábado, às 14h00, mantendo, ainda assim, um traçado exigente e taticamente delicado.
A regata integra o Mediterranean Maxi Offshore Challenge 2025/26 da International Maxi Association, sendo a quarta de sete provas do circuito. O percurso partiu de Livorno, passou por uma marca ao largo de Marina di Pisa, desceu até Pianosa, contornou a costa leste da ilha de Elba e terminou em Punta Ala. A marca de Formiche di Grosseto foi retirada nesta edição, o que acrescentou dificuldade estratégica na gestão da passagem junto a Elba.
Em tempo real, o vencedor voltou a ser a ARCA SGR, de Furio Benussi, que cortou a meta às 14h40 de domingo, com um tempo de 24 horas e 40 minutos e média de apenas 5,1 nós. O contraste com 2025 foi expressivo: no ano passado, o mesmo barco estabelecera novo recorde da prova com 15h31m57s e média de 9,7 nós.
Benussi descreveu esta edição como uma das mais leves e demoradas de que há memória, com rajadas noturnas a não ultrapassarem 3 a 4 nós e uma longa paragem de cerca de três horas na aproximação a Pianosa, onde a frota perseguidora voltou a colar-se, relançando a corrida.
A prestação mais relevante na classe maxi acabou por ser a do Nice, antigo Capricorno, iate de 78 pés que foi o segundo barco maxi a chegar, cerca de duas horas depois da ARCA SGR, garantindo a vitória em tempo compensado IRC. Atrás ficaram o Durlindana IV e o Atalanta II, de Carlo Puri Negri, vencedor da classe em 2024.
Marco Malgara, fundador e CEO da ICE Yachts, descreveu a regata como muito difícil, marcada por várias paragens prolongadas. A bordo do Nice, o armador repartiu o leme com o ex-olímpico esloveno Mitya Kosmina, que destacou a complexidade da ronda a Pianosa e o desgaste físico exigido para manter em movimento barcos desta dimensão em vento quase nulo.
A edição de 2026 evidenciou assim uma faceta mais lenta e táctica da 151 Miglia, num contraste forte com a velocidade da prova de 2025. A última embarcação maxi a concluir a regata foi a Ely-J, de Alessandro Pini, que só cruzou a linha de chegada às 02h26 de 1 de junho, com média de 3,46 nós.
Depois da competição, o programa social prosseguiu em Marina di Punta Ala, onde a organização manteve o jantar oficial para as tripulações. A IMA voltou também a associar a prova a uma vertente solidária, com donativo à Fondazione Mare Oltre Onlus, instituição que promove a vela para pessoas com mobilidade reduzida.
Fotos: Cedidas pela International Maxi Association












