A última etapa da La Solitaire do Figaro Paprec 2026 entrou numa fase de forte compressão da frota, com Alexis Thomas, em Wings of the Ocean, a assumir a liderança provisória à passagem pela marca intermédia de BXA, à entrada do estuário da Gironda.
A manhã de segunda-feira reduziu de forma significativa as diferenças entre os primeiros, anulando boa parte das vantagens construídas nas horas anteriores. A organização descreve esta fase como particularmente frustrante para os líderes iniciais, que viram a margem abrir e fechar sucessivamente em condições de vento muito leve e instável. Nicolas Lunven, em PRB, que seguia como líder provisório da etapa, foi um dos mais afetados por esse reagrupamento.
Na passagem por BXA, a mudança de hierarquia ficou clara. Alexis Thomas assumiu o primeiro lugar, seguido por Tom Goron, em Xplorassur, e Eliaz Morineau, em Demain sans HPV. A frota, porém, permanece muito junta: segundo o comunicado, 19 concorrentes passaram a marca em apenas 20 minutos, sinal da extrema proximidade competitiva nesta fase inicial da ligação entre Pornichet e Le Havre.
O arranque da etapa tem sido marcado por condições especialmente delicadas, com zonas de calmaria, brisas variáveis e transições constantes, obrigando os skippers a um nível de concentração máximo. A organização sublinha que Alexis Thomas, primeiro a sair de Pornichet, conseguiu gerir esta primeira parte da etapa dentro do grupo da frente com grande eficácia, mas lembra também que, na Solitaire, nada fica decidido tão cedo.
Depois da ronda a BXA, a frota entrou numa longa perna de bolina em vento muito fraco, com destino ao farol de Occidentale de Sein, a cerca de 210 milhas náuticas para noroeste. É essa secção que a organização identifica como um dos trechos potencialmente decisivos da etapa final.
A curto prazo, o cenário meteorológico deverá manter-se complexo. O comunicado refere que as próximas horas continuarão dominadas por vento leve e instável, mas antecipa a aproximação de um sistema frontal durante a noite. Na sua retaguarda deverá estabelecer-se uma brisa de oeste na ordem dos 20 nós, condição que poderá devolver velocidade aos Figaro Bénéteau 3 e começar finalmente a abrir diferenças mais consistentes entre os concorrentes.
Até lá, a etapa continua a ser disputada ao detalhe. Em situações em que cada movimento afeta de imediato o equilíbrio e a marcha do barco, os velejadores têm permanecido quase sem sair da posição de navegação, com comunicações VHF muito reduzidas e foco total em ganhar décimas de nó. A organização resume esse momento com uma imagem clara: mais do que velocidade pura, a precisão tornou-se arma tão importante como a estratégia.
A última etapa da Solitaire segue assim numa lógica de xadrez apertado, à espera da mudança de vento que poderá acelerar decisivamente a regata. Para já, o grupo da frente mantém-se comprimido, mas a noite poderá começar a separar quem apanhar melhor a frente e quem ficar para trás.
Fotografias: © Thomas Campion














