WWF Portugal instala abrigos subaquáticos na Trafaria para proteger cavalos-marinhos

21 Jul, 2026 | Ciências do Mar

A WWF Portugal iniciou na Trafaria, em Almada, uma intervenção de restauro ecológico no Estuário do Tejo destinada a melhorar as condições de habitat das populações locais de cavalos-marinhos.

A acção integra a iniciativa nacional D-EVOLUÇÃO e resulta de uma parceria técnico-científica com a MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha.

Nesta primeira fase serão instalados nove abrigos subaquáticos, distribuídos por três locais distintos na baía da Trafaria. As estruturas foram desenhadas a partir do conhecimento científico recolhido pela MARDIVE sobre as populações de cavalos-marinhos existentes na margem sul do estuário.

O objectivo é criar zonas alternativas de abrigo e fixação para os animais, reforçando as condições ecológicas do habitat e preparando futuras acções de limpeza e restauro.

O Estuário do Tejo é o maior estuário de Portugal e uma das zonas húmidas mais importantes da Europa. Na frente ribeirinha da Trafaria vive uma população relevante de cavalos-marinhos, composta por cavalo-marinho-comum e cavalo-marinho-de-focinho-comprido.

Segundo a WWF Portugal, esta população apresenta uma das maiores densidades conhecidas na sua área de distribuição, incluindo alguns dos maiores indivíduos alguma vez registados. No entanto, o habitat encontra-se degradado devido a pressões como lixo marinho, poluição e ruído subaquático.

Antes da instalação dos abrigos, a WWF Portugal e a MARDIVE desenvolveram trabalho científico, diagnóstico ambiental e acções de envolvimento comunitário. A escolha dos locais foi validada com pescadores da Trafaria, integrando o conhecimento local sobre a baía e a utilização tradicional destas águas.

Foram também realizadas entrevistas à comunidade e uma sessão de esclarecimento para apresentar os objectivos do projecto, recolher contributos e reforçar a participação local.

“A protecção da natureza exige mais do que ambição: exige acção concreta, conhecimento científico e trabalho lado a lado com as comunidades locais”, afirma Ângela Morgado, directora executiva da WWF Portugal.

A intervenção na Trafaria é uma das nove acções prioritárias identificadas pela WWF Portugal no âmbito da D-EVOLUÇÃO, iniciativa criada para recuperar ecossistemas degradados, travar a perda de biodiversidade e reforçar a resiliência dos territórios.

No Estuário do Tejo, o projecto conta com financiamento principal do Lidl Portugal, apoio financeiro do Oliveira da Serra e dos Pastéis de Belém, contributos de doadores individuais e colaboração de várias entidades locais e institucionais.

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