Gitana procura terceira vitória na Route du Rhum com novo Maxi Edmond de Rothschild

23 Out, 2026 | Vela

A Gitana Team prepara-se para disputar a Route du Rhum – Destination Guadeloupe com o novo Maxi Edmond de Rothschild, Gitana 18, procurando acrescentar uma terceira vitória a uma história que já inclui triunfos em 2006 e 2022. Charles Caudrelier parte como vencedor em título, mas desta vez ao comando de um trimarã totalmente novo e ainda em fase de descoberta.

A partida da 13.ª edição está marcada para 1 de novembro, às 13h02, em Saint-Malo, e representará a sétima participação da Gitana na clássica transatlântica a solo até Pointe-à-Pitre, na Guadalupe.

A relação da equipa de Benjamin e Ariane de Rothschild com a Route du Rhum começou no início dos anos 2000 e acabou por influenciar o desenvolvimento de vários dos multicascos utilizados pelo projeto. Ao longo desse percurso, a corrida produziu dois dos momentos mais marcantes da história desportiva da equipa.

O primeiro aconteceu em 2006, quando Lionel Lemonchois venceu ao leme do trimarã ORMA Gitana 11. O francês assumiu a liderança cerca de 48 horas depois da partida de Saint-Malo e manteve-se na frente até à chegada, completando a travessia em 7 dias, 17 horas, 19 minutos e 6 segundos.

O resultado deu a Benjamin e Ariane de Rothschild a primeira grande vitória oceânica da equipa e permitiu a Lemonchois retirar quase cinco dias ao anterior recorde da prova, estabelecido por Laurent Bourgnon em 1998. A marca resistiu durante oito anos.

Dezasseis anos depois, a Gitana voltou ao primeiro lugar. Charles Caudrelier estreou-se na Route du Rhum em 2022 ao comando do Maxi Edmond de Rothschild, Gitana 17, então uma das referências da nova geração de grandes multicascos oceânicos com foils.

Depois de uma partida adiada três dias devido ao mau tempo na Bretanha, Caudrelier assumiu rapidamente o controlo da corrida. O francês enfrentou uma saída exigente do Canal da Mancha, condições instáveis junto aos Açores e manteve um ritmo elevado nos alísios, onde registou velocidades superiores a 40 nós.

A 16 de novembro de 2022 chegou a Pointe-à-Pitre em 6 dias, 19 horas, 47 minutos e 25 segundos, estabelecendo um novo tempo de referência para a Route du Rhum e conquistando a segunda vitória da Gitana.

Quatro anos depois, o cenário é diferente. Caudrelier volta como campeão em título, mas dispõe de muito menos tempo de preparação com o barco. O Gitana 18 é um projeto novo, de conceção radical, e a equipa continua a trabalhar para conhecer o comportamento e explorar todo o potencial do trimarã antes da partida.

Para o skipper francês, a Route du Rhum mantém um significado particular. Caudrelier descreve-a como a sua corrida favorita e, para os velejadores de multicascos, como uma espécie de Jogos Olímpicos disputados a cada quatro anos. As imagens de Laurent Bourgnon na edição de 1994 foram também uma das inspirações que o levaram a seguir uma carreira profissional na vela oceânica.

A diferença em relação a 2022 está sobretudo no grau de conhecimento do barco. Há quatro anos, Caudrelier conhecia profundamente o Gitana 17 e chegava à partida depois de uma longa preparação. Agora terá de defender o título com uma embarcação recém-chegada à competição, apesar do trabalho desenvolvido pela equipa para acelerar a aprendizagem e chegar a Saint-Malo em condições de lutar pela vitória.

O novo Maxi Edmond de Rothschild tem 32 metros de comprimento, 23 metros de boca e um deslocamento de 19,5 toneladas. A área vélica chega aos 450 metros quadrados à bolina e 630 metros quadrados em condições de vento favorável, enquanto o mastro eleva o calado aéreo a 38,4 metros.

O trimarã dispõe de seis apêndices, foils com 10,4 metros quadrados de área e cerca de 500 sensores distribuídos pelo barco. No interior e nos diferentes sistemas encontram-se aproximadamente oito quilómetros de cablagem elétrica, refletindo a dimensão tecnológica de uma máquina concebida para navegar a velocidades muito elevadas em oceano aberto.

O Gitana 18 é ainda o 28.º barco de uma história marítima que se aproxima dos 150 anos, acrescentando um novo capítulo ao projeto ligado à família Rothschild.

Nas seis participações anteriores na Route du Rhum, a Gitana somou duas vitórias, um terceiro lugar e um quarto lugar, além de dois abandonos por problemas técnicos. Em 2026, a equipa regressa com a possibilidade de alcançar o terceiro triunfo e de voltar a baixar o tempo de referência da travessia entre Saint-Malo e Guadalupe.

Para Charles Caudrelier, o desafio passa primeiro por transformar rapidamente um barco ainda novo numa plataforma suficientemente fiável e competitiva para enfrentar uma das provas mais exigentes da vela oceânica. A partir de 1 de novembro, cada decisão será tomada a solo e em condições de corrida, com o campeão em título novamente no centro de uma das grandes histórias da Route du Rhum.

 

 

Fotografias: A. Nivet / polaRYSE / GITANA SA; Y. Riou / polaRYSE / GITANA SA

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