O novo Maxi Edmond de Rothschild, Gitana 18, vai alinhar na Route du Rhum – Destination Guadeloupe menos de oito meses depois da primeira saída para o mar, num arranque competitivo marcado por um desenvolvimento técnico acelerado e por várias alterações realizadas nas semanas que antecederam a partida.
Charles Caudrelier, vencedor da edição de 2022, volta a assumir o comando do trimarã da Gitana Team, desta vez com um barco ainda em fase de aprendizagem. A equipa admite que alguns aspetos continuam a ser afinados praticamente até ao início da regata, depois de três meses particularmente intensos de preparação.
O Gitana 18 realizou a primeira navegação a 10 de março de 2026. Desde então, a equipa procurou testar, compreender e melhorar um projeto assumidamente complexo, desenvolvido com soluções técnicas que levaram a estrutura a explorar novos limites em várias áreas.
Um dos principais desafios surgiu nos foils. A equipa percebeu rapidamente que alguns componentes teriam de ser substituídos, situação que condicionou as primeiras fases de aprendizagem e obrigou a adaptar o programa inicialmente previsto.
Apesar desse contratempo, o desenvolvimento prosseguiu a um ritmo elevado. Depois da qualificação a solo de Charles Caudrelier, o trimarã passou cerca de 20 dias em estaleiro, em meados de setembro, período aproveitado para otimizar os foils, corrigir problemas iniciais e substituir componentes do aparelho.
Foram igualmente introduzidas alterações destinadas a melhorar a aerodinâmica, incluindo uma nova carenagem por baixo da retranca, e foi revisto o espaço interior para oferecer melhores condições ao skipper durante a navegação a solo.
A preparação incluiu ainda uma semana recente de navegação e testes de velocidade em conjunto com o Sodebo Ultim e o Actual, antigo Gitana 17. Estas sessões permitiram recolher informação sobre a escolha de velas e afinar diferentes configurações do trimarã.
Entre a primeira navegação e os testes mais recentes, Charles Caudrelier acumulou mais de 40 dias no mar a bordo do novo Maxi Edmond de Rothschild. Segundo a equipa, o comportamento do barco alterou-se de forma significativa ao longo desse período, com ganhos de vários nós de velocidade em alguns rumos.
Outro dos sistemas desenvolvidos especificamente para o Gitana 18 foi o piloto automático, considerado pela equipa uma componente essencial numa regata disputada a solo. O sistema apresenta, nesta fase, um funcionamento que corresponde às expectativas da estrutura.
Apesar dos progressos, Charles Caudrelier reconhece que a própria Route du Rhum será também uma extensão do processo de desenvolvimento. A regata servirá para testar a fiabilidade do trimarã, os apêndices e o comportamento do barco em navegação a solo durante um período prolongado.
O skipper admite também que as manobras poderão ser particularmente exigentes do ponto de vista físico, uma vez que ainda não acumulou o tempo suficiente a bordo para automatizar todos os procedimentos e reações que resultam de um conhecimento profundo do barco.
A Gitana Team considera que o potencial máximo do trimarã ainda está por descobrir e assume que parte das fragilidades só deverá tornar-se evidente em condições reais de competição.
Caudrelier parte, por isso, com a experiência acumulada em navegação oceânica e à vela a solo, mas sem colocar o novo Gitana 18 entre os favoritos assumidos. A equipa prefere apresentar-se como um concorrente com elevado potencial, mas ainda com margem significativa de evolução.
As previsões para a fase inicial da Route du Rhum apontam para navegação com vento de popa até à zona dos Açores, condições que poderão proporcionar um primeiro teste competitivo importante às características do novo multicasco.
O Gitana 18 tem 32 metros de comprimento, 23 metros de boca e um deslocamento de 19,5 toneladas. Os foils apresentam 10,4 metros de envergadura e o barco dispõe de seis apêndices.
A área vélica chega aos 450 metros quadrados à bolina e aos 630 metros quadrados com vento favorável. O trimarã tem ainda 38,4 metros de calado aéreo, cerca de oito quilómetros de cablagem elétrica e aproximadamente 500 sensores.
A nova embarcação é o 28.º barco de uma história marítima que assinala este mês 150 anos.
Fotografias: Y. Riou / polaRYSE / GITANA SA; E. Stichelbaut / polaRYSE / GITANA SA









