Depressão junto aos Açores condiciona nova fase da Route du Rhum

6 Nov, 2026 | Vela

A Route du Rhum – Destination Guadeloupe entrou numa nova fase de exigência meteorológica, com várias classes a prepararem-se para enfrentar uma depressão no Atlântico e os líderes da Class40 a navegarem cerca de 140 milhas a norte dos Açores.

Na atualização divulgada pela organização na quinta-feira, 5 de novembro, Guillaume Pirouelle liderava a Class40 depois de os primeiros barcos terem virado para sul, numa zona onde a aproximação ao centro da depressão obrigava as tripulações a preparar condições mais duras e instáveis.

Pirouelle antecipava vento forte de popa e mudanças rápidas de direção do vento, considerando esta passagem um dos maiores desafios enfrentados até então na regata. Depois dos vários danos registados nos primeiros dias, a prioridade passava também por preservar os barcos durante a travessia do sistema meteorológico.

Pep Costa, décimo no VSF Sports, seguia integrado no grupo perseguidor e apontava igualmente para uma fase exigente, embora com condições que poderiam permitir controlar melhor a velocidade por serem maioritariamente favoráveis à navegação de popa ou com vento largo.

O espanhol sublinhava, no entanto, que o principal objetivo seria atravessar a depressão sem provocar danos e recuperar capacidade ofensiva depois da passagem pelo sistema.

Nos IMOCA, Corentin Horeau mantinha uma vantagem significativa na liderança. O skipper do MACSF seguia com mais de 185 milhas de avanço sobre os perseguidores e tinha ainda pouco menos de 2100 milhas náuticas pela frente até Pointe-à-Pitre.

Horeau tinha conseguido afastar-se dois dias antes de Ambrogio Beccaria, no Allagrande Mapei, e de Sam Goodchild, no MACIF Santé Prévoyance. Apesar de Boris Herrmann, Francesca Clapcich e Goodchild terem recuperado perto de 100 milhas, o francês continuava isolado na frente da frota composta por 21 IMOCA.

Depois de sair do centro de uma depressão, Horeau voltou a ganhar velocidade e navegava perto dos 23 nós em mar desordenado e com vento forte de norte.

Boris Herrmann ocupava a segunda posição no Malizia 4 e enfrentava condições particularmente exigentes, com ondas grandes e ventos superiores a 30 nós.

O alemão disputa pela primeira vez uma prova a solo neste novo barco e assumia como prioridade atravessar esta fase sem provocar danos, procurando simultaneamente manter um ritmo suficientemente elevado para continuar a recuperar terreno.

As previsões analisadas a bordo indicavam ainda a possibilidade de ventos próximos dos 50 nós numa fase posterior, acrescentando dificuldade a uma Route du Rhum marcada por sucessivas depressões e transições meteorológicas.

Sam Goodchild encontrava-se também em recuperação depois de ter perdido muitas milhas no segundo dia da prova, quando ficou praticamente sem vento durante várias horas numa frente quase estacionária.

O skipper do MACIF Santé Prévoyance navegava então com ondas próximas dos quatro metros e vento de cerca de 30 nós, procurando equilibrar velocidade e proteção do barco.

Goodchild reconheceu que uma decisão tática tomada no início da regata permitiu a fuga de Horeau, mas mantinha o foco na recuperação e nas oportunidades que ainda poderiam surgir durante a travessia.

Na frente dos Ultim, Tom Laperche continuava a liderar no SVR Lazartigue e preparava-se também para negociar o lado norte de um sistema depressionário.

O francês antecipava condições instáveis, com possibilidade de vento forte, trovoadas e rajadas, numa fase em que a gestão da potência dos grandes multicascos assumia particular importância.

Laperche admitia que o equilíbrio entre a rota teoricamente mais rápida e aquilo que seria possível executar em segurança seria decisivo, sobretudo numa fase em que rajadas e períodos de vento fraco poderiam surgir de forma rápida e irregular.

A aproximação das diferentes frotas a sistemas depressionários colocava assim a meteorologia no centro das decisões táticas da Route du Rhum. Na zona dos Açores, em particular, os Class40 preparavam-se para uma passagem que poderia condicionar significativamente a evolução da classificação.

Com grande parte do Atlântico ainda por percorrer, a preservação dos barcos e a capacidade de adaptação às mudanças de vento assumiam um peso crescente numa regata que continuava longe de estar decidida.

 

 

Fotografias: Ronan Gladu / Disobey / MACIF; Gautier Lebec; Guillaume Saliot / AFP / Route du Rhum – Destination Guadeloupe

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