Génova abre Salão Náutico com competitividade global no centro do debate

2 Out, 2026 | Náutica

O 66.º Salão Náutico Internacional de Génova abriu ontem portas com a competitividade da indústria náutica no centro das atenções e com a presença da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que visitou o recinto e participou no corte da fita no Waterfront di Levante. A edição de 2026 decorre até 6 de outubro e reúne mais de mil barcos, 215 novidades e representantes de 45 países de cinco continentes.

A cerimónia inaugural começou com o tradicional içar da bandeira pela Guarda Costeira Italiana e com a passagem do navio Margottini, da Marinha Italiana. Organizado pela Confindustria Nautica, o Salão regressa este ano com cerca de 200 mil metros quadrados de exposição e uma área na água 4% superior, num momento em que a indústria italiana procura consolidar a liderança nos segmentos de maior dimensão e, simultaneamente, responder às dificuldades sentidas pela pequena náutica.

Piero Formenti, presidente da Confindustria Nautica, colocou precisamente a dimensão internacional no centro da abertura. Para o responsável, Génova ultrapassa a função estritamente comercial e funciona como uma montra da indústria italiana perante os mercados externos, num setor em que a capacidade de exportação continua a ser uma das principais forças.

A importância económica da náutica italiana voltou a atravessar várias intervenções da manhã. Os números divulgados na véspera mostram que o setor fechou 2025 com um volume de negócios de 8,72 mil milhões de euros, enquanto as exportações da construção náutica atingiram um máximo histórico de 4,4 mil milhões. A Itália concentra ainda 568 encomendas de superiates, equivalentes a 52% da carteira mundial.

Na abertura, o presidente da Região da Ligúria, Marco Bucci, destacou a combinação entre tecnologia, capacidade industrial, design e especialização que sustenta a posição italiana, enquanto a presidente da Câmara de Génova, Silvia Salis, voltou a defender uma maior integração entre o Salão e a cidade. A autarca salientou também a importância de captar novos públicos e aproximar as gerações mais jovens do mar e da náutica.

A dimensão internacional foi igualmente destacada por Lorenzo Galanti, diretor-geral da Italian Trade Agency. A agência reforçou este ano o programa de compradores e jornalistas estrangeiros convidados, procurando aumentar a exposição internacional das empresas presentes e criar novos contactos comerciais durante os seis dias do certame.

Mas o principal tema industrial da primeira jornada passou pela capacidade da náutica europeia para continuar a competir num cenário internacional marcado por custos de energia, novas exigências tecnológicas, incerteza geopolítica e diferenças regulamentares entre mercados.

O debate “Indústria, Inovação, Instituições: rotas comuns para a náutica” reuniu Adolfo Urso, ministro das Empresas e do Made in Italy, Emanuele Orsini, presidente da Confindustria, e Piero Formenti. A discussão colocou lado a lado a necessidade de reforçar a presença internacional, estimular o investimento e acelerar a inovação, mas também as dificuldades específicas da pequena náutica e da cadeia de fornecedores.

Orsini chamou a atenção para as condições de competitividade das empresas europeias, destacando os custos energéticos e o investimento tecnológico, e apontou a inteligência artificial como uma das transformações que deverão marcar a próxima fase industrial. Formenti centrou a intervenção nos segmentos mais expostos à atual incerteza económica, defendendo medidas relacionadas com leasing náutico, fiscalidade e simplificação regulamentar.

A preocupação com a pequena náutica assume especial importância depois dos dados apresentados pela Confindustria Nautica mostrarem comportamentos cada vez mais diferentes dentro do mercado. Enquanto a construção de grandes iates e os segmentos ligados aos superiates continuam a sustentar a indústria italiana, os barcos mais pequenos atravessam pelo segundo ano consecutivo uma fase mais difícil.

O Salão de Génova procura responder a essa transformação com uma edição que dá maior espaço a tecnologia, formação e inovação. A nova Blue Arena concentra iniciativas dirigidas a jovens, start-ups, profissões marítimas, vela e aproximação à náutica, enquanto os TechTrade Days reúnem mais de 400 marcas de componentes e equipamentos num formato orientado para profissionais e contactos entre empresas.

A cerimónia inaugural incluiu ainda uma homenagem ao fotógrafo Carlo Borlenghi, recentemente falecido, através de um vídeo construído a partir de algumas das imagens que marcaram a sua longa ligação à náutica e à vela internacional.

Foi também emitido um selo postal dedicado ao Salão Náutico Internacional de Génova, integrado na série italiana “Le Eccellenze del Sistema produttivo e del Made in Italy”, numa jornada em que indústria, instituições e internacionalização dominaram a abertura de um certame que se prolonga até terça-feira.

Com mais de mil barcos nas áreas de exposição e seis dias de apresentações, debates e contactos comerciais pela frente, Génova volta a funcionar como ponto de encontro entre construção náutica, componentes, tecnologia e mercado. Depois dos primeiros números e intervenções institucionais, a atenção passa agora para as novidades que os estaleiros e fabricantes começaram a revelar no recinto.

 

Fotografia: Salone Nautico di Genova / Confindustria Nautica

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