A Golden Globe Race anunciou para a edição de 2026 um sistema de transmissão em direto a partir de sete barcos da frota, num formato de emissão unidirecional que procura dar acesso visual permanente à regata sem alterar o enquadramento técnico da prova.
A organização descreve a iniciativa como uma estreia na vela oceânica a solo e indica que o chamado “GGR Window” permitirá acompanhar, através do YouTube, transmissões diárias em direto com duração prevista de duas a três horas, além de interrupções em caso de incidente ou notícia relevante. O sistema deverá funcionar durante cerca de oito meses, no quadro da regata que arranca a 6 de setembro de 2026, em Les Sables-d’Olonne, França.
Segundo o comunicado, a solução foi concebida para respeitar o princípio central da Golden Globe Race, que mantém uma filosofia de navegação “como em 1968”, com cartas em papel, sextante, relógios de corda e towing logs, e sem recurso a GPS, computadores, comunicações por satélite ou apoios modernos de navegação. A organização sustenta que o novo sistema só envia dados para fora e não fornece qualquer informação ao navegador.
O dispositivo instalado a bordo é descrito como uma “magic black box” desenvolvida de raiz, com eletrónica, placas, hardware e software próprios, criada em parceria com a empresa sueca TriPeak. O equipamento terá apenas seis botões e permitirá ao skipper, no seu horário de transmissão, ligar ou desligar o sistema, escolher entre três câmaras e iniciar a emissão. A partir daí, o controlo de produção passa para terra.
A organização refere que a emissão poderá mostrar vídeo em direto, movimento do barco e alguns dados de bordo, incluindo ritmo cardíaco do skipper, adernamento, arfagem, velocidade e direção do vento aparente, velocidade e rumo sobre o fundo. Esses dados serão visíveis apenas para o público e para a produção da prova, não para o concorrente.
Nesta fase, o sistema será usado por sete dos 23 inscritos na edição de 2026: Ertan Beskardes, Stephen Wraith, Gunnar Christensen, Etienne Messikommer, Louis Kerdelhué, Helga Marie “Mara” Løvenskiold Kveseth e Pär Nyman. A lista completa de inscritos, reproduzida no material enviado, indica uma frota de 23 skippers de 11 países, com forte presença dos Estados Unidos, que alinham sete concorrentes.
A organização estima um investimento total na fase de protótipo, unidades de produção e gestão do sistema na ordem dos 300 mil euros, sublinhando que a prova continua sem patrocinador principal. O mesmo conceito está já previsto para a McIntyre Ocean Globe Race de 2027, regata tripulada em quatro etapas organizada no espírito da Whitbread original de 1973.
Antes do arranque oficial, o primeiro teste em direto do GGR Window está marcado para 16 de agosto de 2026, durante a SITraN Challenge Prologue Race, também em Les Sables-d’Olonne. A organização prevê ainda instalar uma câmara no escritório da prova para mostrar pontualmente operações em terra.
A Golden Globe Race mantém assim o modelo competitivo clássico em água, mas procura abrir uma nova frente de acompanhamento público e mediático. A novidade não altera o equipamento permitido aos concorrentes, mas introduz uma camada adicional de observação e exposição num dos formatos mais austeros da vela oceânica.
- Gunnar Christensen (USA, 60), aboard his SY POMPOEN, a Hans Christian 34, is one of the seven entrants joining the GGR Window. He bought his boat in Trinidad and sailed 4,000 miles home alone after just one hour of test sailing. Credit: Gunnar Christensen Team
- A proposed GGR Live Window test screen showing skipper heart rate, sailing data, scrolling fleet news, sponsor panels and other live information. The cockpit camera uses infrared night vision, the below-deck camera automatically tracks the skipper, and the mobile camera is gyro-stabilised to keep the horizon level. GGR stores the live feed, allowing entrant shore teams to produce 45-second promotional clips and five-minute weekly highlight videos. Credit: TriPeak / GGR2026
Fotografias/Imagens:
Gunnar Christensen Team
Mara Kveseth
TriPeak / GGR2026













