A European Boating Industry (EBI) lançou um roteiro para a transição energética na náutica de recreio, defendendo uma abordagem multitecnológica e medidas de apoio à adaptação das marinas europeias a combustíveis e propulsões alternativas.
O documento, apresentado em Bruxelas a 29 de maio, intitula-se “Energy Transition for Recreational Boating in Europe: A roadmap for alternative fuel infrastructure” e reúne recomendações dirigidas à indústria, operadores de marinas, instituições europeias e autoridades nacionais e regionais. O objetivo é apoiar a descarbonização da náutica de recreio e o desenvolvimento de infraestruturas adequadas nas marinas.
A EBI sustenta que a transição energética no setor deve ser feita com uma lógica tecnologicamente neutra e por múltiplas vias, tendo em conta a diversidade de uma frota europeia de mais de 6,5 milhões de embarcações e as diferentes realidades operacionais das marinas em águas costeiras e interiores. A organização recorda que a náutica de recreio representa cerca de 0,4% das emissões de gases com efeito de estufa do transporte na União Europeia, mas considera que o setor deve preparar-se desde já para soluções de propulsão mais sustentáveis.
No centro do roteiro está o papel das marinas como infraestrutura de base para essa transição. A EBI defende uma ação coordenada entre indústria, operadores, instituições europeias e poderes públicos para garantir que a preparação das infraestruturas acompanha a evolução das tecnologias de propulsão.
Entre as soluções imediatas, o documento destaca o potencial do HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), apontado como combustível “drop-in” utilizável na maioria dos motores diesel existentes sem necessidade de alterações significativas ou nova infraestrutura. Segundo a EBI, o HVO pode reduzir as emissões de CO₂ em ciclo de vida em até 90% face ao diesel fóssil, além de contribuir para reduzir partículas e emissões de NOx.
Ao mesmo tempo, o roteiro assinala a expansão da propulsão elétrica e dos sistemas híbridos, sobretudo em embarcações de menor dimensão e em vias navegáveis interiores. Para embarcações maiores, a organização indica que continuam a ser exploradas oportunidades futuras associadas ao hidrogénio e ao metanol.
A EBI enquadra este trabalho nos objetivos do EU Sustainable Transport Investment Plan (STIP) e da Industrial Maritime Strategy, documentos europeus que, segundo a organização, já reconheceram os desafios específicos e o potencial de inovação da náutica de recreio e das marinas no quadro mais amplo da política marítima e de transportes da UE.
O roteiro pede ainda medidas de apoio específicas, instrumentos de investimento e financiamento à inovação para ajudar as marinas e o setor a responder às metas europeias de descarbonização e competitividade. A organização sublinha que a realidade económica da rede europeia de marinas – estimada entre 10 mil e 20 mil infraestruturas – é marcada pelo peso de pequenas e médias empresas e de estruturas de gestão municipal, muitas vezes com capacidade limitada para investimentos pesados.
A European Boating Industry representa o setor da náutica de recreio na Europa, incluindo construção naval, equipamentos, marinas e serviços, área que a própria entidade estima reunir cerca de 32 mil empresas e mais de 280 mil empregos diretos.

Philip Easthill








