La Solitaire du Figaro Paprec entra em fase de balanço após chegada a Vigo e antes da segunda etapa

23 Mai, 2026 | Vela

Depois da chegada a Vigo, os velejadores da La Solitaire du Figaro Paprec entraram em fase de análise da primeira etapa, num momento de recuperação física, revisão do material e preparação para a segunda ligação, com perfil diferente.

A organização reuniu várias reações dos skippers após a conclusão da etapa inaugural, permitindo perceber como cada um lê o desempenho conseguido, os erros cometidos e os aspetos a corrigir para a continuação da regata. O balanço mostra uma frota ainda marcada pela dureza da travessia até Vigo, mas já virada para o que falta disputar.

Tiphaine Ragueneau, em ORCOM, mostrou-se satisfeita com a prestação, apesar de ter falhado por escassos segundos um lugar no top 15. A francesa identificou as fases de transição e vento fraco como um dos principais pontos a melhorar e admitiu também dificuldades na alimentação a bordo, referindo que conseguiu fazer apenas uma refeição por dia durante a etapa.

Nicolas Lunven, em PRB, considerou que apostou demasiado na velocidade durante a passagem da frente, opção que inicialmente parecia promissora mas acabou por não render como esperava na fase final. O skipper destacou, ainda assim, o prazer retirado da parte mais tática da etapa e reconheceu o mérito de Tom Dolan na forma como se reposicionou no momento decisivo.

Hugo Dhallenne, em Skipper Macif 2025, descreveu uma primeira etapa particularmente intensa, marcada por duas travessias do Canal da Mancha, passagem pela parte exterior do golfo da Biscaia, frente fria, chuva e rotações de vento muito fortes. O francês considerou que, até Espanha, a regata decorreu em linha com o previsto, admitindo depois uma componente mais imprevisível na aproximação final.

Léo Bothorel, em Decathlon, fez um balanço positivo depois de terminar em 13.º lugar, sublinhando a variedade das condições encontradas e a violência da fase de vento forte, com rajadas até 35 nós e mar pesado. O francês contou ter passado boa parte do tempo a retirar água do interior do barco e referiu pequenos danos em velas, embora sem comprometimento estrutural para a segunda etapa.

Eliaz Morineau, em Demain sans HPV, considerou que aprendeu com a etapa face à edição anterior, sobretudo na forma como se manteve bem colocado durante a primeira metade da regata. Ainda assim, lamentou a decisão tomada na fase final, quando arriscou uma opção que acabou por custar cerca de dez posições, entendendo que deveria ter protegido melhor a posição junto ao grupo principal.

Martin Le Pape, em Paprec, destacou a recuperação conseguida depois da colisão sofrida no início e considerou que a quarta posição foi o melhor resultado possível perante a forma como navegaram os três primeiros. O skipper sublinhou a importância da velocidade à bolina e da leitura das transições de vento, apontando uma pequena abertura no cenário meteorológico como fator decisivo para ganhar terreno ao grupo mais a oeste.

Laure Galley, em Hauterive, fez uma leitura encorajadora da etapa, sobretudo por ter conseguido competir na frente em condições duras, algo que considerou novo na sua evolução. A velejadora admite ter perdido rendimento no longo bordo para sul, mas valorizou a forma como recuperou lugares na chegada em vento fraco e sai da etapa com vários sinais positivos.

Victor Mathieu, em Elitys, assumiu que o objetivo inicial passava por entrar progressivamente na regata, uma vez que chegou à partida fisicamente desgastado. O francês referiu ter começado mal, como lhe é habitual, mas destacou a forma como foi crescendo ao longo da etapa e resolvendo os problemas surgidos a bordo, terminando cansado mas satisfeito por ter chegado em segurança a Espanha.

Édouard Golbery, em SOS Village d’Enfants, fez um balanço misto, entre satisfação e frustração. O skipper considerou ter navegado bem durante grande parte da etapa e acreditou na opção de procurar a costa espanhola por sul para beneficiar de aceleração junto a terra. A estratégia permitiu-lhe reentrar na luta com o grupo da frente, mas acabou por ficar preso na calmaria a cerca de 15 milhas da primeira porta, situação que praticamente definiu o resultado final.

Entre os estreantes, Paul Loiseau, em Région Bretagne – CMB Espoir, foi o rookie mais destacado e considerou que a etapa validou pontos fundamentais do seu trabalho, sobretudo ao nível da gestão do sono. O francês referiu que uma das fragilidades conhecidas estava precisamente no descanso, mas saiu desta primeira experiência de vários dias no mar com confiança reforçada.

Também Thomas Dinas e Eliott Coville, vencedores do Défi Paprec em Auray Quiberon by Orlabay, consideraram cumprido o principal objetivo da temporada. Os dois destacaram o interesse competitivo de largar 15 minutos depois da frota principal e poder observar de perto as escolhas dos velejadores da Solitaire, sublinhando o valor formativo dessa experiência e a ambição de regressar à regata noutras edições.

A recolha destas análises mostra uma frota que, mais do que digerir classificações, procura transformar a primeira etapa em informação útil. Entre velocidade à bolina, transições, gestão física, alimentação, sono, preservação do barco e leitura meteorológica, os skippers saem de Vigo com um retrato mais preciso do que correu bem e do que terá de mudar antes da segunda etapa.

 

 

Fotos: © Vincent Olivaud

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