Marie Gendron assumiu a liderança da segunda etapa da La Solitaire do Figaro Paprec na aproximação a Pornichet, numa fase da regata marcada por vento fraco, frota muito espalhada e presença forte de estreantes nas posições cimeiras.
A velejadora da Kereis SNCF Voyageurs surge na frente numa etapa em que a vitória continua em aberto, mas em que as condições leves parecem favorecer quem melhor consegue preservar velocidade e posicionamento. A própria Gendron sublinha sentir-se confortável neste tipo de cenário, assumindo que gosta de regatas em vento fraco e de luta próxima entre barcos.
Atrás da francesa, a perseguição mantém-se apertada. Adrien Hardy, em Sans Nature, pas de Futur !, segue próximo, tal como Paul Loiseau, em Région Bretagne – CMB Espoir. Com dois estreantes colocados no top 3 e Ellie Driver em quarto, esta fase da etapa confirma uma recomposição parcial da hierarquia e reforça o peso dos rookies numa regata que continua muito longe de estar decidida.
O momento competitivo permanece, no entanto, extremamente volátil. A frota espera uma rotação do vento para leste, mudança que deverá ajudar a definir a estratégia para a parte final da ligação até Pornichet. Até lá, ninguém conseguiu cavar uma diferença definitiva, e a dispersão dos barcos continua a deixar margem para novas inversões na classificação.
Em água, a etapa entrou numa fase de grande delicadeza técnica. Com apenas dois a três nós em certos momentos e mar relativamente calmo, os skippers tentam manter o barco vivo em qualquer pequena rajada. Thomas de Dinechin, em Almond for Pure Ocean, resume bem o desafio: nestas condições, um pequeno erro faz perder velocidade quase de imediato, e o objetivo passa por manter o barco equilibrado e em movimento o maior tempo possível.
A redução do vento alterou também o ritmo a bordo. Depois da dureza dos dias anteriores, muitos skippers aproveitam esta fase para tentar secar o interior dos barcos e recuperar algum conforto. Chloé Le Bars, em Skipper Macif 2026, contou ter posto o motor a funcionar para secar o interior e até o spinnaker, aproveitando o momento para limpar-se e aliviar o excesso de água a bordo.
Entre os testemunhos recolhidos, Ellie Driver mostra satisfação com o rendimento conseguido até agora, mas avisa para a dureza das transições que ainda vêm pela frente. Laure Galley descreve uma situação meteorológica difícil de interpretar, com vento que voltou a entrar de oeste durante a noite e mais tarde de noroeste, obrigando a tentar “apanhar” o vento vindo do lado contrário e, sobretudo, a manter-se no grupo certo.
Também Chloé Le Bars admite cansaço acumulado, depois de vários problemas durante a noite e pouco descanso, mas acredita estar no lado favorável para a próxima rotação. Já Thomas de Dinechin considera que os modelos meteorológicos estão a ter dificuldade em ler o que se passa e defende uma navegação oportunista, procurando a rota mais curta possível num contexto em que os skippers sentem ter controlo limitado sobre o próprio destino.
A segunda etapa entre Vigo e Pornichet entra assim no penúltimo dia com uma líder estreante, uma frente de regata comprimida e um cenário meteorológico que continua a premiar precisão, paciência e adaptação constante. Mais do que velocidade pura, a luta está agora a ser travada ao detalhe — e os rookies, para já, estão a responder à altura.
Fotografias: © Thomas Campion © Vincent Olivaud














