Náutica de recreio quer ser pilar da economia azul

31 Out, 2025 | Náutica

O 1.º Congresso Náutico Internacional, promovido pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), reuniu mais de 450 participantes em Mafra para debater o futuro da náutica de recreio em Portugal. O encontro defendeu a criação de um Plano Estratégico Nacional a 20 anos, um “Simplex Náutica” e um programa de modernização das infraestruturas do mar.

Ao longo de quatro painéis, especialistas nacionais e internacionais analisaram o potencial económico e social do sector. Fernando Sá, presidente da Divisão Náutica da ACAP, sublinhou que Portugal dispõe de condições naturais e de uma rede crescente de marinas e estações náuticas, mas enfrenta desafios de simplificação administrativa e modernização de infraestruturas.

De acordo com Hermano Rodrigues, da consultora EY-Parthenon, existem no país mais de seis mil empresas ligadas à náutica de recreio, responsáveis por cerca de dez mil postos de trabalho e um volume de negócios superior a 500 milhões de euros. Portugal ocupa atualmente o 12.º lugar no ranking europeu, liderado pela Itália.

Na sessão de encerramento, o Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, defendeu uma “abordagem integrada” que valorize a náutica como “âncora da estratégia nacional para o mar”, destacando o papel das estações náuticas na ligação entre economia e comunidade local.

O ex-ministro Duarte Cordeiro, keynote speaker do congresso, sublinhou a necessidade de alinhar o sector com os objetivos de sustentabilidade e transição energética, reforçando a importância da ação ao nível das infraestruturas, financiamento, competências e circularidade.

Philip Easthill, Secretário-Geral da European Boating Industry, apresentou a evolução do mercado europeu e apontou a parceria entre indústria e políticas públicas como fator essencial para o crescimento e competitividade do sector.

Na abertura do congresso, o Secretário-Geral da ACAP, Helder Barata Pedro, apresentou quatro propostas ao Governo e autarquias: reconhecimento político do potencial da náutica de recreio, criação de um plano estratégico a longo prazo, modernização das infraestruturas marítimas e um pacote “Simplex Náutica” para simplificar processos e procedimentos administrativos.

A Presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Carla Salsinha, referiu que a náutica tem impacto direto na economia local e que a região continuará a reforçar a sua posição neste domínio. O presidente da Câmara de Mafra, Hugo Moreira Luís, afirmou que o concelho valoriza o mar como ativo económico e turístico.

Durante o encontro, foram também discutidas medidas de simplificação administrativa, parcerias público-privadas e a criação de um “guichet de decisão” dedicado aos temas do mar.

A ACAP distinguiu ainda, com o Prémio Farol, António José Correia, antigo presidente da Câmara Municipal de Peniche e impulsionador das Estações Náuticas, e o nosso Antero dos Santos, fundador e diretor do jornal Notícias do Mar, figura de referência da náutica em Portugal.

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