Porto de Roterdão cresce 0,4% no primeiro semestre em contexto de incerteza

23 Jul, 2026 | Economia do Mar

O movimento de mercadorias no Porto de Roterdão aumentou 0,4% no primeiro semestre de 2026, para 212 milhões de toneladas, num período marcado por incerteza geopolítica e perturbações nas cadeias de energia e comércio.

Segundo a Port of Rotterdam Authority, o porto manteve uma operação resiliente graças à escala, à infraestrutura e à diversidade dos fluxos de carga. O resultado líquido do primeiro semestre foi de 144,8 milhões de euros e os investimentos realizados nos primeiros seis meses totalizaram 126 milhões de euros.

O crescimento foi suportado pelo aumento dos granéis líquidos, que subiram 2,4%, e dos granéis sólidos, que avançaram 1,7%. Já o segmento de contentores manteve-se praticamente estável em TEU, com uma descida de 0,1%, embora tenha recuado 2,6% em toneladas.

A Port of Rotterdam Authority refere que a evolução do primeiro semestre foi condicionada pela guerra no Golfo Pérsico e pelo encerramento do Estreito de Ormuz, que aumentaram a incerteza nos mercados internacionais e pressionaram os preços da energia.

O impacto directo no porto terá sido limitado, mas o contexto reforçou, segundo a autoridade portuária, a importância de cadeias logísticas robustas e de uma infraestrutura energética europeia mais resiliente.

Nos granéis líquidos, o movimento de crude aumentou 1,6% e o de produtos petrolíferos subiu 11,5%, para 25 milhões de toneladas. A Port of Rotterdam Authority associa esta evolução às margens de refinação mais elevadas e à necessidade de compensar alterações nos fluxos de importação de produtos petrolíferos.

O movimento de GNL recuou 1,7%, para 6,4 milhões de toneladas, devido a menores importações, embora as exportações tenham aumentado. A autoridade portuária liga esta evolução ao maior uso de GNL como combustível marítimo.

Nos contentores, o tráfego deepsea cresceu 5,2% em TEU, impulsionado por um aumento de 8% nas importações da Ásia. O tráfego de e para a América do Norte subiu 13%, apoiado por mais serviços de linha. O transhipment, contudo, recuou devido a limitações de capacidade em Roterdão.

A partir do final do ano, vários terminais de contentores deverão dispor de capacidade adicional, criando novas possibilidades de crescimento para este segmento.

A transição energética continua a ganhar expressão no porto. No primeiro semestre, entrou em funcionamento uma instalação de energia eléctrica de terra para navios de cruzeiro na Wilhelminakade e passou a estar disponível energia de terra para navios atracados na Parkkade, na zona urbana.

Roterdão registou também, em maio, a primeira operação de abastecimento de etanol a um navio de mar, com recurso a uma mistura de etanol e metanol, reforçando a posição do porto no bunkering de combustíveis alternativos.

Outro marco foi a conclusão do primeiro troço da rede nacional neerlandesa de hidrogénio, uma ligação de 32 quilómetros entre Maasvlakte e Pernis, que deverá permitir no futuro o transporte de hidrogénio das unidades da Maasvlakte para consumidores industriais.

A autoridade portuária destaca ainda investimentos em segurança e resiliência, incluindo o pedido para a criação de um espaço aéreo regulado para drones no porto e o desenvolvimento de uma plataforma de cibersegurança para os portos marítimos neerlandeses de importância nacional.

 

Fotografia: Martens Multimedia / Port of Rotterdam Authority

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