O Porto de Sines vai avançar com um estudo de mercado para auscultar o interesse de potenciais investidores na construção e concessão do novo Terminal Vasco da Gama. O anúncio foi feito pelo presidente da APS – Administração dos Portos de Sines e Algarve, Pedro do Ó Ramos, durante a Porto Maritime Week, organizada pelo Transportes & Negócios e que se realiza no Porto entre 22 e 26 de setembro.
O novo estudo visa prevenir o cenário de 2019, quando o concurso internacional para o Terminal Vasco da Gama ficou deserto, num contexto marcado pela pandemia e por uma exigente componente de investimento. Desta vez, a APS irá articular-se com o Governo para recolher contributos junto do mercado e identificar as condições que os operadores privados consideram determinantes para participar na futura concessão.
Pedro do Ó Ramos destacou ainda a vantagem competitiva da localização de Sines, que atualmente dispõe de mais de 20 rotas semanais para todo o mundo. Além da sua relevância logística, Sines tem vindo a afirmar-se como um polo industrial estratégico, com 20 mil milhões de euros de investimento potencial identificado, sobretudo em áreas como o hidrogénio verde e o aço verde.O Terminal Vasco da Gama integra o plano de investimentos de 1,2 mil milhões de euros previsto até 2035, dos quais 701 milhões estão diretamente alocados a esta nova infraestrutura. O concurso internacional contemplará uma concessão estimada em 560 milhões de euros.
Em conjunto com a expansão em curso do Terminal XXI, estes dois projetos representam mais de 1,2 mil milhões de euros de investimento, permitindo que o Porto de Sines alcance uma capacidade instalada de 4,1 milhões de TEU, reforçando a sua posição como hub logístico global.
Terminais de Contentores de Leixões terão apenas um concessionário
A sessão “Estratégia para os Portos Nacionais”, integrada na Porto Maritime Week, reuniu pela primeira vez todos os presidentes das administrações portuárias do continente e das regiões autónomas, que apresentaram os principais investimentos previstos no âmbito do Projeto 5+, recentemente aprovado pelo Governo.
O presidente da APDL – Administração dos Portos do Douro e Leixões, João Neves, anunciou a construção do novo terminal de contentores norte, que irá permitir aumentar a capacidade instalada do Porto de Leixões de 1 milhão para 1,6 milhões de TEU. João Neves adiantou ainda que os dois terminais de contentores de Leixões passarão a ter apenas um concessionário, estando igualmente previstos novos contratos de concessão: um para o Terminal de Carga Geral (granéis e armazenagem de agroalimentares), no valor de 85 milhões de euros, e outro para o Terminal Roll-on Roll-off, avaliado em 50 milhões de euros.
Já o presidente da APL – Administração do Porto de Lisboa e da APSS – Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, Vítor Caldeirinha, apresentou a estratégia conjunta “One Vision, Two Gateways”, que prevê investimentos em ambos os portos. Em Lisboa, o plano centra-se na requalificação e reordenamento dos terminais da zona oriental, permitindo aumentar a capacidade instalada em cerca de dois milhões de toneladas. Em Setúbal, o destaque vai para o futuro dos estaleiros da Mitrena, atualmente concessionados à Lisnave até julho de 2027. Segundo Vítor Caldeirinha, não existem restrições quanto à utilização futura da infraestrutura, que poderá vir a acolher novas valências ligadas à construção naval ou até integrar uma componente militar, como o fabrico de drones.
A sessão contou ainda com as intervenções de Eduardo Feio, presidente da APA – Administração do Porto de Aveiro, Paula Cabaço, presidente da APRAM – Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, e Sancha Santos, presidente dos Portos dos Açores, que partilharam igualmente a visão estratégica das respetivas administrações portuárias no quadro do Projeto 5+.
A PMW2025, promovida pelo Transportes & Negócios, afirma-se, como o maior fórum nacional dedicado ao setor marítimo-portuário, assumindo-se como ponto de encontro entre decisores, empresas, associações e especialistas, num momento em que o setor enfrenta desafios estratégicos de competitividade, sustentabilidade e inovação.








