O Porto Lisboa-Setúbal atribuiu à IBEROL – Sociedade Ibérica de Biocombustíveis e Oleaginosas, S.A. os títulos de uso privativo relativos às duas pontes-cais do Terminal de Granéis Alimentares de Alhandra, no concelho de Vila Franca de Xira, numa operação que enquadra investimentos de modernização, reforço logístico e apoio à cadeia dos biocombustíveis.
A formalização hoje concluída abrange duas parcelas distintas. A área localizada a jusante, na Quinta da Figueira, será atribuída em regime de concessão de uso privativo por 40 anos. Já a parcela situada a montante, na Quinta da Hortinha, será atribuída em regime de licença de uso privativo por 10 anos, ambas ao abrigo da legislação aplicável aos recursos hídricos.
Segundo a informação divulgada, a atribuição destes títulos surge na sequência de um procedimento concursal sem manifestação de interesse de terceiros e com parecer favorável da Autoridade Marítima Nacional.
O projeto apresentado pela IBEROL prevê um conjunto de intervenções no terminal, com foco na modernização de infraestruturas, no aumento da capacidade operacional e na incorporação de soluções mais sustentáveis para a movimentação e armazenagem de matérias-primas agroalimentares.
Entre os investimentos previstos está a requalificação da ponte-cais da Quinta da Figueira, incluindo reforço estrutural e instalação de novos equipamentos de descarga, o que permitirá operações com grua flutuante até 600 toneladas por hora. Está igualmente previsto o aumento da capacidade de armazenagem em mais de 50 mil toneladas, através da construção de novos armazéns ou silos, bem como a introdução de sistemas automatizados destinados a melhorar a eficiência logística.
O plano inclui ainda a automatização dos silos existentes, com controlo de temperatura e humidade, ventilação e otimização dos processos de descarga, num reforço da fiabilidade e capacidade operacional do terminal.
Na componente energética, o projeto contempla a instalação de um parque fotovoltaico com potência de 1.159 kWp, direcionado para autoconsumo do futuro hub logístico e da unidade industrial associada.
A operação é também apresentada como relevante no contexto da transição energética e da descarbonização dos transportes, ao reforçar a capacidade nacional de receção, armazenagem e distribuição de matérias-primas destinadas à produção de biocombustíveis. O objetivo passa por apoiar as cadeias agroindustriais e energéticas e a bioeconomia, em linha com metas nacionais e europeias de redução de emissões e promoção de combustíveis renováveis.
Do ponto de vista logístico, o investimento deverá contribuir para consolidar em Alhandra um centro de distribuição de matérias-primas agroalimentares e para reforçar a competitividade do porto, ao mesmo tempo que promove maior recurso ao transporte marítimo e fluvial nas Cadeias de Abastecimento. A transferência modal da rodovia para a via fluvial é apontada como um dos efeitos esperados, com potencial para aliviar a pressão sobre a rede viária envolvente e reduzir emissões associadas ao transporte de mercadorias.
O presidente do Porto Lisboa-Setúbal, Vítor Caldeirinha, enquadrou o investimento como relevante em três planos: competitividade logística, consolidação de um polo agroindustrial e reforço da cadeia ligada aos biocombustíveis. O responsável defendeu ainda que o projeto deve ser lido sobretudo à luz da bioeconomia, da economia circular e da descarbonização dos transportes, mais do que apenas como operação ligada à armazenagem de oleaginosas.








