Presidente da APS defende criação de zona franca em Sines para atrair investimento e reforçar fluxos logísticos

15 Out, 2026 | Economia do Mar

O presidente da APS – Administração dos Portos de Sines e do Algarve, Pedro do Ó Ramos, defendeu a criação de uma zona franca em Sines como instrumento para atrair novas empresas e estruturas logísticas e reforçar a competitividade da oferta integrada do porto.

A proposta foi apresentada durante o 28.º Congresso de Logística da APLOG, realizado nos dias 13 e 14 de outubro no Taguspark, em Oeiras, sob o tema “Geopolítica e Logística: Cadeias em Transformação”. Pedro do Ó Ramos participou no painel dedicado ao papel dos portos portugueses na nova geopolítica do comércio, centrado na competitividade, sustentabilidade e integração logística.

Segundo o presidente da APS, a criação de uma zona franca permitiria criar condições adicionais para a instalação de atividades empresariais e logísticas em Sines, contribuindo para aumentar os fluxos de importação e exportação e para reforçar a capacidade de atração de investimento.

A medida seria articulada com outra alteração já prevista para o início de 2027. A alfândega de Sines deverá entrar em funcionamento em janeiro, deixando de funcionar como delegação da Alfândega de Setúbal. Para a APS, a combinação entre uma estrutura aduaneira própria e uma eventual zona franca poderá funcionar como alavanca para novos investimentos associados ao porto e às áreas industriais e logísticas envolventes.

Durante a intervenção, Pedro do Ó Ramos destacou também a posição de Sines face aos portos espanhóis, apontando vantagens nas áreas tecnológica e logística, na sustentabilidade, intermodalidade, capacidade de expansão e conectividade com os mercados europeus.

A criação de valor para a economia regional e nacional e a articulação entre os diferentes intervenientes ligados ao porto foram igualmente identificadas como fatores determinantes para o desenvolvimento de Sines.

Num contexto marcado pela reorganização das cadeias internacionais de abastecimento e pelas alterações na geopolítica do comércio, o presidente da APS defendeu o reforço do posicionamento de Sines como plataforma estratégica ligada às principais cadeias logísticas globais. Competitividade, sustentabilidade e integração logística surgem, neste quadro, como elementos considerados essenciais para aumentar a resiliência das cadeias de abastecimento servidas pelo porto e reforçar as ligações aos mercados europeus e internacionais.

A oferta territorial disponível em Sines assume um papel importante nesta estratégia. A APS destacou a ZAL – Zona de Atividades Logísticas e a ZILS – Zona Industrial e Logística de Sines, esta última disponibilizada em articulação com a aicep Global Parques.

Com mais de dois mil hectares, a ZILS é apresentada como a maior área industrial e logística da Península Ibérica e disponibiliza espaço para diferentes tipos de projetos. Entre os setores identificados estão os novos combustíveis, beneficiando da proximidade a um porto de águas profundas com elevada capacidade operacional.

A estratégia passa, assim, por combinar infraestrutura portuária, áreas industriais e logísticas, capacidade de expansão e ligações terrestres e marítimas para aumentar a atratividade de Sines junto de investidores, importadores e exportadores ibéricos.

A participação no Congresso da APLOG ocorreu num momento em que a transformação das cadeias de abastecimento, a incerteza geopolítica e a procura de maior resiliência estão a alterar os critérios de localização de atividades logísticas e industriais. Para a APS, Sines pretende aproveitar esse contexto reforçando a integração entre porto, logística e indústria.

 

Fotografia: APS – Administração dos Portos de Sines e do Algarve

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