A Sea Tech Week reuniu em Brest, nos dias 6 e 7 de outubro, investigadores, empresas e diferentes atores ligados à economia azul em torno de alguns dos principais desafios que estão a transformar a relação com o oceano. Portugal participou nesta edição como País em Destaque, com a representação portuguesa coordenada pela Fórum Oceano, reforçando a presença nacional num programa dedicado à ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento da economia azul.
O Jornal Notícias do Mar, Media Partner da Sea Tech Week 2026, acompanhou o encontro em Brest e inicia agora uma série de conteúdos sobre os temas, projetos e debates que marcaram esta edição.
A transição ecológica e a descarbonização marítima constituíram uma das principais linhas de trabalho. Entre os temas em destaque estiveram a utilização de amoníaco como combustível marítimo, o desenvolvimento de transportes marítimos mais sustentáveis, os sistemas de energias renováveis offshore, o Nature-Inclusive Design e a durabilidade dos materiais em ambiente marinho.
Esta abordagem mostrou uma transição energética que vai muito além da substituição de combustíveis. A redução do impacto ambiental do setor marítimo passa também pela forma como são concebidas infraestruturas e equipamentos, pela resistência e desempenho dos materiais e pela integração de novas soluções energéticas em ambientes particularmente exigentes.
Outro dos grandes eixos foi dedicado à observação do clima e do oceano. Sistemas de observação marinha, medições de correntes in situ, instrumentação avançada, partilha de metodologias e utilização de soluções espaciais em aplicações marítimas fizeram parte de uma agenda centrada na necessidade de conhecer melhor o oceano para antecipar riscos, apoiar decisões e responder às alterações climáticas.
A relação entre conhecimento e resposta ambiental prolongou-se para o eixo dedicado aos riscos e à poluição. A monitorização do meio marinho e a capacidade para interpretar dados surgiram aqui como instrumentos essenciais para compreender alterações nos ecossistemas e apoiar respostas mais eficazes aos impactos ambientais.
A segurança marítima e as tecnologias avançadas formaram outro dos grandes blocos da Sea Tech Week. Entre os temas discutidos estiveram a falsificação de sinais AIS, interferências em sistemas GNSS, comunicações submarinas, exercícios de cibersegurança marítima, informação náutica digital e sistemas integrados de deteção e conhecimento do fundo marinho.
Esta vertente evidenciou uma realidade marítima cada vez mais dependente da conectividade e de sistemas digitais. Quanto maior é a integração tecnológica nas operações, maior é também a importância da proteção das comunicações, dos sistemas de posicionamento e da informação utilizada por navios, infraestruturas e operadores.
A quinta grande área alargou a discussão às políticas marítimas e à capacidade dos territórios para transformar recursos, conhecimento e competências em desenvolvimento económico. A economia azul portuguesa esteve entre os temas abordados, juntamente com competências e carreiras ligadas ao mar, cooperação atlântica, governação marítima, biotecnologia azul e atração internacional de talento.
A condição de Portugal como País em Destaque deu particular visibilidade à participação nacional e permitiu enquadrar a economia azul portuguesa num espaço de cooperação atlântica onde a ligação entre investigação, empresas, qualificação e capacidade de atrair profissionais especializados assume um peso crescente.
A coordenação da representação portuguesa pela Fórum Oceano reforçou essa presença, num contexto em que a Sea Tech Week funciona como ponto de encontro entre ciência, tecnologia, empresas e políticas públicas ligadas ao mar.
A estrutura da Sea Tech Week, organizada em cinco percursos temáticos distintos mas interligados, mostrou precisamente essa convergência. A transição energética exige investigação e novos materiais, a segurança depende de sistemas digitais mais robustos, a proteção ambiental requer melhores instrumentos de observação e a economia azul precisa de competências capazes de transformar conhecimento em soluções e atividade económica.
Mais do que apresentar áreas isoladas, a Sea Tech Week mostrou em Brest como ciência, inovação, segurança, ambiente e economia azul estão cada vez mais ligados no desenvolvimento do setor do mar.
Nos próximos dias, o Notícias do Mar regressará a Brest com uma peça mais aprofundada sobre a presença do Jornal e a participação portuguesa, seguindo-se uma série de conteúdos dedicados aos projetos, tecnologias e temas apresentados durante a Sea Tech Week.








