Sobrepesca priva milhões de pessoas de dieta nutritiva

14 Jun, 2023 | Pesca

Além disso, essa medida poderia prevenir problemas de saúde graves e potencialmente fatais. O peixe e o marisco são alimentos ricos em nutrientes e vitaminas, fornecendo cerca de um quinto das necessidades diárias de proteína para mais de 3 mil milhões de pessoas em todo o mundo.

Estudos recentes sugerem que, se todas as pescas fossem geridas de forma sustentável, seria possível pescar mais 16 milhões de toneladas de peixe e marisco por ano. Essa quantidade adicional, juntamente com as 96 milhões de toneladas de pescado selvagem previstas para 2030, poderiam evitar deficiências de ferro em 4 milhões de pessoas e deficiências de vitamina B12 em 18 milhões de pessoas. Isso contribuiria para reduzir casos de anemia, um problema de saúde pública global que afecta quase metade das crianças menores de cinco anos e 40% das mulheres grávidas.

Aumentar a disponibilidade de pescado também poderia eliminar deficiências de zinco em mais de dois milhões e meio de pessoas, deficiências de cálcio em 24 milhões de pessoas e impulsionar o consumo de vitamina A em cinco milhões de pessoas. A deficiência de vitamina A é a principal causa evitável de cegueira em crianças.

O Marine Stewardship Council destaca a necessidade de os governos incluírem os alimentos provenientes do mar no centro de suas estratégias alimentares nacionais. Isso implica promover medidas que reconheçam e apoiem a pesca sustentável, bem como garantir acesso a produtos marinhos ricos em nutrientes, especialmente em economias emergentes.

De acordo com a análise da organização, 38 milhões de pessoas que carecem de ácidos gordos ómega-3 (DHA e EPA), encontrados principalmente em peixes e mariscos, poderiam atender às suas necessidades diárias se os oceanos fossem explorados de forma sustentável. Isso contribuiria para reduzir as mortes por doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais.

Essas estimativas são provenientes da Aquatic Foods Composition Database, uma base de dados criada pela Golden Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health, que contém informações detalhadas sobre mais de 3.500 espécies de alimentos aquáticos e centenas de nutrientes. Essa base de dados abrangente visa melhorar a compreensão dos benefícios nutricionais dos alimentos marinhos.

Dados recentes também mostram que o organismo absorve e utiliza melhor os nutrientes provenientes de peixes e mariscos do que os nutrientes presentes em vegetais e suplementos alimentares. No entanto, o oceano enfrenta diversos desafios, sendo que mais de um terço das populações de peixes do mundo, estão a ser exploradas de forma insustentável.

Rupert Howes, Director Executivo do Marine Stewardship Council, ressalta a pressão sem precedentes sobre os sistemas de produção alimentar global, impulsionada pelo aumento da população mundial, que está prevista para chegar a 8 mil milhões de pessoas até 2030, e pelos potencialmente catastróficos impactos das alterações climáticas. O peixe selvagem desempenha um papel fundamental na reversão desse cenário, fornecendo proteínas para biliões de pessoas e sendo uma forma de produção de alimentos com baixas emissões de carbono.

Howes enfatiza a necessidade urgente de acção para enfrentar o desafio da sobrepesca, destacando que um terço das populações de peixes está ameaçado. Os consumidores, pescadores e empresas já apoiam essa mudança, mas é necessário que os governos façam mais, garantindo uma transformação urgente dos sistemas alimentares em escala global.

Essa análise, que faz parte de um novo relatório sobre a importância dos produtos marinhos capturados em estado selvagem para sustentar a crescente população mundial, foi divulgada para marcar o mês de conscientização sobre o papel vital dos oceanos na preservação da saúde, segurança e prosperidade das pessoas em todo o mundo.

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